questões sobre o texto "teoria do não-objeto" de ferreira gullar
A teoria do não-objeto, proposta por Ferreira Gullar em meados dos anos 50, pretende, à grosso modo, propor uma reflexão sobre o iminente processo de subversão dos limites da produção e da experimentação da arte, tanto por parte do artista quanto por parte do espectador. Ferreira Gullar pretende ao longo do texto desconstruir a noção de um espaço delimitado e metafórico de contemplação de uma determinada obra e propor uma transcendência e uma ressignificação do espaço, então limitado a alojar e proteger sua respectiva obra enquadrada ali. Gullar propõe, então, um abandono definitivo da superfície onde uma pintura, por exemplo, é representada e contemplada, de forma que esta se realize e se produza e reproduza no espaço que transcenda o espaço delimitado de sua moldura, se afastando, dessa maneira, de suas origens e de suas espacialidades pré-determinadas e tornando-se, de fato, objetos especiais ou não-objetos. Esse processo de desprendimento das convenções que circundam o processo artístico não é uma tarefa simples, segundo Gullar, que aponta a necessidade de um "esforço do artista para libertar-se do quadro convencional da cultura,
para reencontrar aquele “deserto” de que nos fala Malevitch, onde a obra aparece pela primeira vez livre de qualquer significação que não seja a de seu próprio aparecimento" (p. 5). A partir disso, é importante resgatar algumas indagações de Villém Flusser, onde o filósofo checo-brasileiro vai apontar a desvinculação da cultura e suas respectivas instituições do processo do fazer científico (no caso, o fazer a artístico) como tarefa fundamental que livrará o homem (então objeto passivo) de sua própria humanidade e dessa maneira, reverter a relação de dependência estabelecida entre o homem (artista) e sua obra.
Fontes bibliográficas:
FLUSSER, Vilém. Ficções filosóficas. Edusp. 1998.
GULLAR, Ferreira. Teoria do não-objeto, 1959. Experiência neoconcreta, p. 90-100, 2007.
Comentários
Postar um comentário