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relatório dos fotógrafos

UFMG

Fundamentação para o Projeto de Arquitetura e Urbanismo I
Ateliê Integrado de Arquitetura (AIA)

Aluno: Eduardo Ferreira Selga
Matrícula: 2020012337

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Peter Keetman

Peter Keetman foi uma figura muito importante na fotografia moderna pós-guerra na Alemanha, que era de onde ele era, com sua fotografia que buscava, mais que apenas captar imagens com uma câmera, explorar e imaginar o potencial criativo dela a partir da experimentalidade e da continuidade das dimensões dos objetos fotografados que são características marcantes do trabalho dele (MUSEUM FOLKWANG, 2016). Ao longo de sua vida profissional, Keetman focou seus trabalhos na fotografia de tipo close-up, deixando claro seu gosto pela anormalidade e pela subjetividade (PHOTOGRAPHY & VISION, 2020).


Imagem 1 (à esquerda): Self Portrait, 1957. Peter Keetman / Acervo Artsper
Imagem 2 (à direita): Seiser Alm 

Südtirol, 1969. Peter Keetman / Acervo artnet.

Nas duas fotografias representadas acima não é possível, logo de cara, saber o que são exatamente os elementos que Keetman retrata, além de não estar claro quais são suas dimensões. A primeira imagem, por exemplo, possui várias cópias dela mesma formando ela mesma. Já na segunda imagem pode ser analisada como um tronco de árvore fotografado de cima ou como uma falésia de pedras fotografadas por um drone ou de um avião, assim como a primeira, que é não apresenta, com clareza, o que exatamente está sendo fotografado.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS

  • MUSEUM FOLKWANG. PETER KEETMAN: World through a Creative Camera. The Life’s Work of a Photographer. 03 jun. 2016 - 31 jul. 2016. Disponível em: https://www.museum-folkwang.de/en/exhibition/peter-keetman
  • PHOTOGRAPHY & VISION. Monday’s Photography Inspiration – Peter Keetman. 13 jan. 2020. Disponível em: https://photographyandvision.com/2020/01/13/mondays-photography-inspiration-peter-keetman/


Maureen Bisilliat


Maureen Bisilliat é uma fotógrafa que nasceu na Inglaterra em 1931. Em 1955 foi estudar artes plásticas em Paris, com André Lhote, e em 1957 continua seus estudos no Art Student’s League, em Nova Iorque. Nesse mesmo ano se muda para o Brasil, onde passa a morar em São Paulo, entretanto, decide dedicar-se apenas à fotografia a partir de 1962. Diante desse contexto, em 1960 teve seu primeiro contato com Jorge Amado, que a fez se interessar pelas paisagens que dialogavam com a literatura nacional, como Grande Sertão: Veredas. Nesse sentido, se torna fotojornalista contratada e cria ensaios celebres de exaltação à cultura brasileira. Além disso, cria projetos sobre o Parque Nacional do Xingu, que contribuiu na construção de um documentário, e foi convidada por Darcy Ribeiro para montar o acervo de arte popular latino-americano em 1988.

Índios – Cenas do dia-a-dia, c. 1975. Parque Indígena do Xingu, MT. Maureen Bisilliat / Acervo IMS

Essa fotografia faz parte de um dos projetos de Maureen sobre o Parque Nacional do Xingu, nela predomina o caráter expressivo de cuidado plástico e formal, a atenção às cores e ornamentos marcantes do Xingu e o sentido cênico e ritual da vida indígena. Ela expressa a vida cotidiana dos moradores do Xingu, de maneira dinâmica e vívida.


Cruzando o rio a pé, próximo a Montes Claros. 1963-1967 – foto: © Maureen Bisilliat – Acervo IMS

Nesta série de Bisilliat, o enquadramento fotográfico ressalta o uso da contraluz, uma opção que destaca o claro-escuro, ilumina o interior das moradias e delineia a figura do corpo do vaqueiro em seus gestos e afazeres cotidianos. Com a produção do livro A João Guimarães Rosa, a fotógrafa recria com a própria linguagem a paisagem visual e humana traçada pelo texto do autor, mostrando a permanência das Minas Gerais interiorizada e pouco conhecida na época.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
  • INSTITUTO MOREIRA SALLES. Coleção Maureen Bisilliat. Disponível em: https://ims.com.br/titular-colecao/maureen-bisilliat/
  • ZUM REVISTA DE FOTOGRAFIA. As mulheres caranguejeiras e o sertão de Guimarães Rosa pelas lentes de Maureen Bisilliat. 23 abr. 2018. Disponível em: https://revistazum.com.br/ensaios/caranguejeiras-vaqueiros-maureen/

Mário Cravo Neto

Mário Cravo Neto foi um fotógrafo, desenhista, escultor e cineasta nascido em Salvador, na Bahia, em 1974 e falecido em 2009 em sua cidade natal. O foco desse seminário será em sua carreira como fotógrafo, que foi onde mais se destacou, usando de temas como a natureza, o povo baiano, o candomblé e sua religiosidade para guiar suas inspirações principais para as fotografias. Seu início na área de artes visuais foi influenciado por seu pai, que passou a ele suas primeiras orientações sobre o campo e promoveu a sua convivência com o ambiente artístico.

O deus da cabeça, 1995. Foto de Mário Cravo Neto / Acervo IMS

Câmeras queimadas, 1997. Foto de Mário Cravo Neto / Acervo Galeria Base

As fotografias selecionadas para representar as obras de Mário Cravo Neto demonstram alguns aspectos que podem ser frequentemente vistos em suas obras. Na primeira imagem, “O deus da cabeça”, é possível ver o uso do preto e branco, que era muito explorado pelo artista, ao representar uma pessoa em interação com um animal, nesse caso uma tartaruga de maneira incomum, que pode trazer estranhamento em principio mas demonstra o uso da natureza nas suas obras. Outro ponto também muito visto em suas obras que é evidenciado na primeira imagem é o jogo de luz e sombras, realçado pela fotografia em preto e branco. Como foi citado, e mostrado em exemplo na imagem anterior, O Mário Cravo Neto usa como material para sua fotografia o povo baiano, a natureza, o candomblé e a religiosidade, porém na obra “Câmeras queimadas” ele foge desses temas e fotografa algo que representou um acontecimento de sua vida, onde o artista foi assaltado e perdeu todo seu material, como câmeras e lentes, mas ao recuperá-lo este estava todo carbonizado. Na imagem podemos ver os materiais enfileirados sobre uma lona que foi utilizada como fundo infinito, ocupando cerca de 90% da fotografia e mesmo assim não passa uma impressão de um grande “nada”, devido ao uso do preto e branco junto com composição de luz e sombra, assim como é usado em “O deus da cabeça”, com isso, a textura da lona ganhou um destaque e atrai os olhares que buscam decifrar o que esse fundo representa.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
  • ESCRITÓRIO DE ARTE.COM. Mário Cravo Neto. Disponível em: https://www.escritoriodearte.com/artista/mario-cravo-neto
  • GALERIA BASE. Mário Cravo Neto. Disponível em: https://www.galeriabase.com/mario-cravo-neto
  • INSTITUTO MOREIRA SALLES. Coleção Mário Cravo Neto. Disponível em: https://ims.com.br/titular-colecao/mario-cravo-neto/


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